21 de setembro de 2010

Novo dia, nova disposiçao

Agradeço muito os comentarios que recebi em relaçao ao post anterior, agradeço a opiniao de cada uma. Mas ao contrario do que eu possa ter dado a entender eu nao estou farta do meu filho nem tou arrependida de o ter deixado nascer nem nada que se assemelhe. Ás vezes sou tao sôfrega a escrever o que me passa na alma que por vezes dou a entender para o outro lado realidades que de nada me pertencem.
É verdade que quando o meu filho nasceu a minha recuperaçao nao foi nada facil, tive muitos problemas fisicos e fui-me muito abaixo psicologicamente. Durante alguns meses tive a chamada "depressao pos-parto" que FELIZMENTE a comunidade cientifica ja encara como um problema serio da mulher e nao um mera mariquice que ninguem entende.
Sofri muito, olarilolela... E depois ninguem me compreendia, só viam o bem-estar do meu filho e eu fui deixada de lado (talvez por deficiencia de pensamentos por parte das outras pessoas que me rodeiam e que nao viram as consequencias daquilo que me diziam, nao sei). Alem das dores, das mudanças de rotina, de ter uma "coisa" (era isso que eu xamava ao meu filho no inicio) a viver em simbiose comigo, vi-me completamente sozinha. Longe dos lugares que conheço, longe dos meus pais que adoro e de toda a minha familia, num lugar estranho, sem amigos nenhuns, a viver 24h por dia entre quatro paredes sozinha com um puto que me xateava imenso só pelo facto de existir. Sim...Eu rejeitei o meu filho no inicio! Nao me envergonho nada de o admitir porque nao sou a unica mulher que o faz ao cimo da Terra.
A modos que a minha vida só está a começar a ser tambem a MINHA vida agora porque voltei a ter objectivos de vida, sou obrigada a sair pra rua e conviver com gente, tenho metas traçadas pra mim mesma, começo a dar uns passos de alguma independencia. E era isto que me faltava!
E era isto que me faltava pra ser uma boa mae, pra ser uma melhor dona de casa, uma melhor namorada, uma melhor pessoa: ser eu por alguns momentos que sejam.
Às vezes nao queria que nada disto existisse e continuasse a ser só eu por muito e muito tempo, e é aí que vem o conflito comigo mesma porque ainda me prendo àquilo que eu era e tinha (liberdade, por exemplo) em vez de olhar pra realidade daquilo que tenho e do que sou hoje (uma pessoa melhor com toda a certeza)! E estes conflitos aparecem quando estou mais cansada, mais preocupada ou mais em baixo por um motivo curriqueiro. Ainda ontem a minha professora de economia dizia "O ser humano é muito instavel..." e acenei a cabeça com tanta conviçao...
Claro que as vezes a paciencia esgota-se por variadas razoes, claro que me sinto mais cansada alguns dias e é claro que nem sempre posso estar disponivel pro meu filho. Durante o meu processo de aprendizagem enquanto frequentei as consultas de psicoterapia entendi que nem sempre estive errada ao tomar algumas atitudes, que por exemplo nos dias em que estou menos disponivel e mais cansada e se deixar o meu filho no tapete dele com as brincalhadas todas pra ele brincar e eu ir à minha vida, ou seja, dedicar-me a alguma coisa que goste e que me apeteça fazer que nao é errado, que nao sou uma pessima mae por fazer isso, que é preferivel deixa-lo no cantinho dele (sempre a vigia-lo obvio) e eu ficar no meu por uns instantes e depois agarrarmo-nos um ao outro com mais paciencia e mais abertura do que saturarmos o tempo e os sentimentos entre nós.
Ontem estava demasiado cansada e o facto de ele ter voltado pra casa quando em casa dos avós faziam-lhe as vontades alem de que tinha um jardim e um grande espaço dentro de casa pra gatinhar a vontade e aqui sendo mais pequeno e voltar às regras da mae e do pai, obvio que ele ressentiu-se e exigiu e cobrou de mim o que eu nao posso de maneira nenhuma dar.
Dou mimo, colo e carinho, brinco com ele, mas tambem lhe dou as regras do "jogo" da vida. Porque ele vai crescer, vai-se integrar numa sociedade mesquinha e demasiado rebelde e matreira e ele tem de estar preparado para os embates que vai sofrer ao longo do caminho dele. Mas tambem quero e faço de tudo para deixa-lo ser criança e poder guardar bons momentos tal como eu guardo alguns da minha. Ou seja, existe um meio termo!
O meu lema de vida é criar os meus filhos para a independencia! Detesto, odeio miudos que vivem debaixo das saias das maes e depois se tornam adultos-crianças como o meu namorado por exemplo. Só agora (e isto é gravissimo mas ele da-me razao e xegou a essa conclusao) é que o meu namorado só agora é que está a dar os passos de um verdadeiro adulto, porque antes a maezinha fazia-lhe tudo,tratava dos assuntos importantes dele, quando ele tinha receio de se xegar à frente escondia-se na sombra da mae e discutimos muuuuito por isso porque havia um cordao umbilical que ainda nao tinha sido cortado e eu às tantas vivia com namorado e sogra dentro da minha propria casa sem ela estar fisicamente presente.
Muitas vezes ele me diz que graças a mim aprende diariamente a ser homem e a ser independente! E nao me orgulho disso se querem saber... Preferia que ele caminhasse pelo proprio pé sem precisar de mim como muleta. Sim, eu sei que num casal um é a muleta do outro mas em certos casos convém nao ser porque alem de haver o EU e o TU= NÓS tambem ha o EU e o TU= individual. E cada um tem de crescer conforme as suas capacidades mas sempre em convergencia pra um mesmo objectivo: crescer.
Amo o meu filho, adoro o meu namorado mas ha coisas que levam tempo a digerir, ha coisas que o tempo nunca apaga, só ameniza e ainda sendo tao nova preciso de tempo pra crescer mais um pouco e aprender a compreender o EU, o TU e o OUTRO. Preciso de tempo pra arrumar algumas coisas do passado em gavetas e dar espaço ao meu consciente para apreender novos caminhos consoante novas situaçoes da vida.
E é isso que vou fazendo ao longo da vida, um bocadinho de cada vez, um passo de cada vez. Nao sou de dar passos maiores que a perna, os embates da minha vida (e ja foram muitos mas que por agora só a mim me pertencem) obrigaram-me a vergar e a ser paciente com o tempo, saber esperar.
Obrigada pelo vosso apoio, pelas vossas palavras, tudo é importante pra mim porque pego nas vossas palavras e decifro-as de modo a balsamizar-me por dentro, e o espirito sossega...
Beijolas

3 comentários:

  1. O processo de crescimento é sempre difícil... Ninguém diz que viver é fácil e tu estás no início da tua vida.
    Tens que arranjar tempo para ti, tempo para estar com o teu filho e com o teu namorado.
    Abraços grandes linda (és bonita, sabias?)

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  2. Olá Márcia! Li tudinho. Compreendo os teus sentimentos de rejeição iniciais pelo teu filho. Depressão pós-parto é uma doença de facto. Sofri de depressão muito tempo e sei o que é ser-se incompreendido. Obrigada pelo teu apoio lá no meu cantinho.
    Não deixes que estas coisas atrapalhem o teu percurso na questão do peso. Estás a ir lindamente.

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  3. Oi amiga...
    te entendo, sei que amas teu filho, precisas de tempo para vc, o tempo vai aparecer, já que não tem tempo sozinha, faça com que o tempo ao lado do seu filho seja gostoso e útil a vcs dois...
    Olha passei por isso, de lembrar do passado e querer que voltasse a minha liberdade, acredito que todas nós que temos filhos pensamos nem que seja uma vezes na vida tranquila que tinhamos antes dos filhos, isso é normal, mais acordei do sonho da minha vida antes da minha filha, e hoje decidi ser feliz com ela e sempre ao lado dela...bj florzinha

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