25 de junho de 2012

Uma luzinha que me fez feliz

Fazendo as contas faltam 20 dias para me casar. O nervoso miudinho que eu julgava que nunca iria aparecer finalmente apareceu, devagarinho, mas apareceu! De maneira que agora conto os dias, vivo ansiosa pelo dia porque é o concretizar de um sonho mas será também mais uma mudança na minha vida. Sei que ele é o homem ideal para mim, que muito mais que paixão desmedida amo-o, devagarinho, qual sopro de uma brisa fresca de verão que consola nos dias quentes e insuportáveis. Nem sempre é fácil, é verdade!  Vivermos com alguém tem o seu quê de aflitivo e às vezes de perturbador ainda para mais com o feitio que tenho: mania de me virar sozinha e não incluir nada nem ninguém nos meus problemas nem nas minhas crises existenciais, convicção de achar que consigo ultrapassar tudo sozinha sem ajuda de ninguém e que partilhar o meu sofrimento com alguém faz de mim uma pessoa mais frágil do que aquilo que quero fazer parecer. É errado, às vezes sim, sei que é porque afinal este homem quis e quer estar comigo para o resto da vida, aturou e suportou muita coisa e ainda hoje assim  é porque não é fácil viver comigo. Mas as coisas encaixam-se, começam a fazer sentido demore o tempo que demorar e sinto que, afinal, não preciso de estar constantemente sozinha porque na verdade não estou.
No balanço destes 4 anos de namoro e a vivermos juntos com um filho aprendemos tanto, vivemos tanto e tivemos de crescer com muita dor porque, no fundo, começamos uma relação como dois miúdos e de repente veio logo um bebé e houve muita mudança junta que nos afastou e aproximou vezes sem conta. O amor, o carinho e o companheirismo falaram sempre mais alto do que as brigas e as desilusões. Porque o amor também é isto, errarmos juntos e aprendermos a perdoar! O balanço é positivo q.b.
Só espero que continue assim por muitos anos da nossa vida, se assim Deus quiser e nós deixarmos!

Ainda falta dar o passo mais importante da minha existência: amar-me e cuidar de mim. E isso passa por me alimentar como deve ser, perder peso por saúde e tornar-me mais saudável. E não o tenho feito... Tenho manipulado a minha vida toda, tenho sido tão branda comigo e continuo a descontar na comida toda a frustração e toda a dor que a vida vai-me proporcionando. A convicção de que tenho que mudar, urgentemente, está cá e... mexer-me? Não, tem sido mais fácil mergulhar na imundice das atitudes erradas e com isto vou engordando mais, vou-me matando mais aos poucos e vou-me frustrando pela vida fora... Deixei de culpar terceiros, de deitar as culpas nas atitudes dos outros, porque afinal a culpa é só minha! Sou eu que não mudo, sou eu que prefiro viver na inércia e mergulhar os meus problemas na comida, porque é mais fácil sobreviver do que lutar pela vida.
Parva.
Mas ainda assim não perdi a esperança de lutar por mim, de procurar o meu amor próprio e salvar-me!

E isto tudo agravou-se desde o momento em que tive de tomar uma decisão dificil à 2 meses, acerca da minha sobrinha, do amor da minha vida! Ter de fazer queixa a uma comissão de proteção de menores sabendo as consequencias que isso implica a nivel familiar e pessoal não foi fácil, mas fi-lo por amor a ela, fi-lo na certeza de a estar a proteger e a salvar de uma vida triste e revoltada como a minha. Já disse aqui antes (e se não disse digo agora) que não vou permitir que a minha menina, que ajudei a criar  e a incutir bons valores, viva de uma maneira desnorteada, como eu vivi, que se sinta mal amada e vazia e sozinha pela estupidez dos pais e pela insensibilidade dos avós. Até que eu viva vou ao fim do mundo para a proteger e ajudar a crescer!
Só que neste momento não consigo poupa-la da dor, do vazio da minha ausência. A frieza e a sede de vingança dos pais só a está a maltratar e a causar danos irreversíveis e por isso procurei outra advogada para tentar encontrar uma janela, uma brecha que seja para a poder ter ao pé de mim e poder ama-la como ela merece e como tem de ser. Passei uma procuração forense para a advogada ir junto da comissão de proteção de menores averiguar o estado do processo e ver se há hipótese de pedir a guarda dela para mim. Ainda aguardo por noticias, e mesmo sabendo que demora até chegarem a uma conclusão dói.
Sinto que quanto mais a espera mais danos, mais mágoas vao sendo criadas naquela cabecinha frágil. E dói tanto estar longe e ter sido privada de falar com a minha menina pela frieza dos pais. Eu, de tão desesperada e numa tentativa de amolecer o coração do meu irmão e alertá-lo para o perigo e para a maldade que estava a fazer à própria filha mas... foi em vão. Para ele a má fui eu, para ele a miúda está optima, é feliz e os pais são a melhor coisinha da vida dela. Mentiras! Porque eu e todos da familia que convivem de perto com a menina e com os pais sabe o que sempre se passou e a própria comissão  concluiu que aquilo é uma familia desmembrada e instável.
Mas eu, eu é que fui a cabra porque fiz o melhor para salvaguardar a minha menina que ninguém ouve nem ninguém se importa com o que lhe vai na alma, que só por ter 5 anos não tem opinião própria e deve ser calada e reprimida à força! Os pais chegaram ao limite de dizerem à miuda que eu não gostava dela porque não os tinha convidado para o meu casamento e que eu nunca mais a veria até ela atingir a maioridade... Meu Deus, quanta maldade!
E a minha menina... tão frágil mas tão crescida e cheia de bravura já a fazer uma ginástica cerebral e dizer que o pai é um mentiroso.
Os pais proibiram-na de falar comigo, proibiram os meus pais de deixar a miuda telefonar-me e claro, eles tiveram que acatar a ordem com o risco de a deixarem-na de a ver também.
E passei estes meses angustiada, a sofrer, à procura de meios e respostas para me chegar perto dela, de lhe poder dizer que a amo muito e que jamais me esqueço dela e que estou a lutar todos os dias pelo nosso amor. Até que ontem, sem querer, liguei para casa dos meus pais e quem atendeu foi ela. As lágrimas escorreram-me e disse-lhe um "olá" que quase dava para ouvir na china! Os meus pais deixaram que a miuda atendesse mas com o aviso de que não podia contar a ninguem que estava a falar comigo, muito menos os pais.
Estive 1h ao telefone com ela, a ouvi-la rir, contar as novidades da escolinha, do "namorado" que desde  os 3 anos é o mesmo :) , ouvi as queixas dela até  o seu pranto ouvi porque fartou-se de xorar a dizer que tem saudades minhas, que quer vir para minha casa, que o pai não a deixa falar sobre mim e que a mãe lhe bate sempre que ela teima em falar comigo. O meu coração ficou mais apertadinho, com mais certezas de que ela me ama e jamais se esquece de mim, que tenho de ter cada vez mais força para lutar por nós as 2. Ela falou-me do aniversário que se aproxima, em Agosto, e que quer que lhe faça o bolo da cinderela e que quer vir festejar na minha casa... Doeu tanto, tanto mas tanto!
Fi-la prometer que não ia contar aos pais que tinha falado comigo mas eu, que a ensinei a dizer sempre a verdade, ter que ensiná-la a mentir e a esconder coisas ainda mais me dói a alma.
Mas ela entende, de uma forma dolorosa e quase má e, incompreensivelmente, compreende que mentir é a unica maneira de ela poder continuar a telefonar-me sempre que está em casa dos meus pais (o que acontece só aos sábados). Não sei se ela irá aguentar a pressão e provavelmente irá descair-se toda um dia destes mas eu não baixar os braços, amanhã irei ligar à minha advogada a contar as novidades que consegui comunicar com ela e que ela me voltou a fazer queixas das reprimendas do pai por ter saudades minhas e de a p*** da mãe lhe bater com quanta frieza e maldade aquela alma tem.
Eu vou à luta, porque a minha bebe precisa de mim, porque ela deu-me a luz e o estimulo para continuar, porque ela me ama e o nosso amor é de mãe e filha e que apesar de ela não ter saido de dentro de mim eu pari-a com a alma, ela é um pedaço da minha alma e eu sou um pedaço da dela, porque isto só se explica com vidas passadas mas que é um amor bonito de se ver!
Vou até ao fim do mundo, até às ultimas consequências para a ter perto de mim. Porque eu amo-a e o amor condicional assim aguenta tudo e move tudo.

2 comentários:

  1. obrigado pelo teu comentário no meu blog, sobre o aparelho, acho que vou pôr, só espero conseguir que corra bem...

    o caso da tua sobrinha emocionou-me, porque eu sou uma super tia, tenho 4 sobrinhos, e apesar de ás vezes eles serem bem chatinhos, são os meus amores e por quem eu faria tudo... espero que consigas a guarda da tua sobrinha, se ela vive numa situação má com os pais, há que a mudar para um ambiente estável e cheio de amor, como me parece que é o teu caso.

    beijos e muita força

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  2. obrigado pelo comentário no meu blog, quanto ao aparelho acho que vou pôr, só espero que corra tudo bem.

    o caso da tua sobrinha emocionou-me, porque eu sou uma super tia, tenho 4 sobrinhos, que apesar de às vezes serem chatinhos, são os meus amores e por quem eu faria tudo... muita força e espero que consigas ter a tua sobrinha ao pé de ti.
    beijos

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